A Região entre os rios Pardo e Grande, no nordeste paulista, começou a ser desbravado no início do séc. XVII por bandeirantes que buscavam as Minas de Goiás. A rota rumo à recém fundada Vila Boa de Goiás passava por essa região a famosa Estrada do Sal, por onde transitavam bandeirantes, comerciantes e mineradores, em demanda daquelas minas. Ao longo deste caminho formaram-se pousos, núcleos iniciais de povoamento e abastecimento. Esse quadro social perdura até fins do séc. XVIII.
No início do séc. XIX, a região acolhe forte fluxo populacional: são os mineiros que vêm das Gerais, principalmente do sul para criar gado e plantar lavoura, sucedendo a decadência da mineração, devido a escassez do ouro de Aluvião então explorado. A mão-de-obra procurou outra atividade mais estável, ligada a terra começando, assim, a administrar a Capitania de São Paulo.
Os primeiros habitantes pioneiros chegam nos anos iniciais do séc. XIX e em 1805, criam a Freguesia da Franca, que constitui o primeiro núcleo urbano da região. Em volta da Igreja, cujo vigário era o padre Joaquim Martins Rodrigues, os mineiros migrantes, liderados por Hipólito Antonio Pinheiro (fundador de Franca) levantam suas casas, que só abrigariam seus moradores aos domingos e feriados. Era nas fazendas que viviam a maior parte de suas vidas. Uma organização dentro do mundo rural.
Criada a Freguesia da Franca desvinculava-se da Freguesia de Moji-Mirim, cuja jurisprudência eclesiástica atingia até as margens do Rio Grande. O nome de Franca homenageia o então Governador Geral da Capitania de São Paulo, Antônio José de Franca e Horta, incentivador da fixação do núcleo populacional de origem mineira em território paulista. Sem essa ação, talvez a região entre-rios Pardo e Grande, fosse inteiramente apossada pela capitania de Minas Gerais.
Os mineiros, acostumados nas cidades de sua capitania, as mais ricas e movimentadas da colônia, constituíram a Freguesia, e em 28 de novembro de 1824 a Vila, que era Del Rey, passa a Vila Franca do Imperador (homenagem a D. Pedro I), mediante decreto imperial obrigando a sua instalação pelo Ouvidor Freire, desvinculava-se, então, de Moji-Mirim e passava a comandar os destinos da comunidade, onde será também, administrada a justiça.
Se analisarmos os orçamentos da Vila Franca, num período de 1830 a 1846, podemos perceber que as rendas municipais estavam decrescentes pela decadência da pecuária. Assim é que em 1836 o orçamento de Franca, que era de um conto e noventa e quatro mil reis, o décimo da província, passa para quatrocentos e trinta e seis mil e trezentos e setenta e um reis, ocupando o trigésimo terceiro lugar.
Os vereadores da época estavam preocupados com esse empobrecimento, não podendo deixar de registrar o papel decisivo das Câmaras Municipais em todos os grandes momentos históricos do Brasil-Colônia, no Primeiro e Segundo Impérios e até os primeiros anos da República. Havia na época uma verdadeira e salutar descentralização administrativa. As Câmaras eram eleitas pelos munícipes e gozavam de grande prestígio, autoridade e autonomia na gestão dos interesses municipais, tanto os econômicos, quanto de justiça e segurança.
Registre-se em 21 de julho de 1834, portanto, a nossa Câmara nomeou uma "Commição de Pusturas" que apresentava o seguinte teor:
"Commição de Pusturas incarregada de dar parecer relativamente a necessidade de plantações de Café e Mandioca, He de parecer que todo o Lavrador plante 100 covas de Mandioca correspondendo a cada braça – um pé de café e assim hirão concervando annual ou antes para mais do q. para menos. Todo o proprietario será obrigado a plantar e conçervar 25 pés de café correspondente a cada braça, nunca para menos, e todos aqueles, ou estes q. o contrario fizerem pagarão 2$00rs para as Dispezas do Concelho, e na falta dias de prizão, e duplo na reincidência – e devendo os officiaes dos respectivos Quarteiroens dar conta aos fiscais no tempo respectivo com as mesmas penas declaradas aqueles. Vilha Franca do Imperador, 21 de julho de 1834. (aa) Joaquím da Rocha Neiva – Thomaz Corrêa de Souza – Jozé Teixeira Alvares."
Percebe-se através deste texto que os cafeeiros até então se constituíam em pequenas plantações de fundo de quintal, fato esse confirmado por inventários datados de 1835, o que nos leva a crer que em 1830 alguns cafeeiros já estavam sendo plantados em hortas, para o cafezinho.
Em 1836, encontramos o primeiro registro de produção de café, atribuído a Franca no total de 261 arrobas.
Já em 1870, registra-se no relatório de exportação da província de São Paulo o volume de 2.534, arrobas atribuídas a Franca.
Daí, podemos admitir, que na década de 1860, devam ter se iniciado as plantações de lavouras com objetivos econômicos.
O relatório da província de São Paulo impresso em 1888 – com dados da produção de 1887 – elaborado pela comissão Central de Estatística da Província, sendo presidente da comissão o Dr. Elias A. Pacheco e Chaves e o Presidente de São Paulo o Conselheiro João Alfredo Correa de Oliveira, atribui a Franca, 1283 escravos e afirma terem sido produzidos 60.000 arrobas de café.
Em busca de tão grande riqueza, a Estrada de Ferro Mogiana, inaugura sua estação na Villa Franca em 11 de abril de 1887.
D. Pedro II foi pródigo em conceder títulos de nobreza aos grandes cafeicultores brasileiros.
O período de maior expansão cafeeira situa-se nos anos vinte: em 1920, a região da Mogiana já lidera os quadros estatísticos do Estado de São Paulo, com uma produção de 7.852.020 arrobas e 35,53% do total do Estado.
Então, o café já havia criado em Franca uma aristocracia, que dominava sua vida política, econômica e social. Esta fazia viagens à Europa, educava os filhos nos melhores colégios, edificava palacetes na "praça da igreja", assistindo às procissões e principais acontecimentos urbanos da janela de suas casas. Mas com a depressão de 1929/30,esta aristocracia perde a liderança política e com o passar do tempo, também a econômica e a social, em favor da burguesia comercial e industrial. Parte da antiga classe dominante se aburguesa, através de seus elementos mais dinâmicos, que ingressam nas atividades de comércio e indústria, reconquistando, embora parcialmente, posições perdidas, enquanto outra parte se proletariza, disputando empregos públicos secundários ou se dedicando a modestas atividades, para poder sobreviver.
Foi o café que inverteu a tendência declinante das rendas do nosso município, surgindo os palacetes, os hotéis e a Vila Franca transformou-se em próspera cidade do começo do séc. XX.
O café distribui a riqueza e democratiza o latifúndio pela divisão natural entre os herdeiros dos Barões de ontem.
Vista aérea de plantação de café da região
Franca está dentro da área produtora de café da Alta Mogiana, que também engloba Cristais
Paulista, Jeriquara, Pedregulho, Rifaina, Itirapuã, Patrocínio Paulista, São José da Bela Vista,
Altinópolis, Batatais e Restinga.Todas essas cidades se desenvolveram a partir da cultura de café,
que foi introduzida há aproximadamente 200 anos naquela região. Atualmente o produto ainda
exerce grande influência na economia da Mogiana e ocupa 47 mil dos 450 mil hectares de área
cultivada.
Com uma altitude que varia entre 900 e 1.000 metros e um solo arenoso, a região produz somente
café da espécie arábica, sendo que as variedades mais cultivadas são o Catuaí e o Mundo Novo.
A Mogiana é uma das poucas regiões do Brasil que produz cafés mais finos, que são conhecidos
como cafés de bebida mole. Porém, os produtores também obtém bebida dura.
Por ser um solo de fertilidade média, a adubação é uma necessidade para as lavouras da
Mogiana, segundo informa Anselmo Magno de Paula, engenheiro agrônomo e gerente do
Departamento de Comercialização da Cocapec (Cooperativa dos Cafeicultores e Pecuaristas
da Região de Franca).
Os produtores também fazem uso da mecanização, o que é possível em virtude da topografia
da região e do relevo menos acentuado.
De acordo com Magno de Paula, a colheita mecanizada tem crescido muito entre os produtores.
A produção de café é bastante expressiva na região, representando 16,4% da produção total do
Estado.
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