Além de Franca, a USP de Ribeirão Preto vai participar, diretamente, da elaboração de pesquisas, projetos e metas de trabalho nos DRS (Departamentos Regionais de Saúde) de Ribeirão Preto, Araraquara e Barretos. A parceria, chamada de Projeto de Apoio Permanente da USP aos DRS, prevê uma assessoria direta do Departamento de Medicina Social da faculdade em ações como novas estratégias voltadas à medicina preventiva e à vigilância epidemiológica.
“A prevenção de doenças é, geralmente, esquecida. Se não houver um planejamento, vamos ficar a vida inteira apagando incêndios”, diz a coordenadora Maria do Carmo Caccia-Brava.
Oito docentes e 12 assessores (alunos de pós-graduação e outros profissionais) fazem parte do projeto, criado pela Secretaria de Estado da Saúde. Outras oito faculdades públicas vão fazer o mesmo, cobrindo todos os DRS do Estado. Cada uma das oito faculdades receberá, por ano, R$ 200 mil em verbas a serem usadas nas pesquisas.
Um termo de cooperação entre o DMS (Departamento de Medicina Social) da FMRP-USP (Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo) e os DRS (Departamentos Regionais de Saúde) de Franca, Ribeirão Preto, Araraquara e Barretos, está abrindo novas perspectivas para a melhoria do atendimento primário na rede de saúde pública.
A proposta do DMS (Departamento de Medicina Social), intitulada “Projeto de Apoio Permanente da USP às regionais de saúde tem o objetivo de estabelecer propostas de trabalho conjunto em prol do fortalecimento da “capacidade técnica e de gestão regional” para o oferecimento de “uma assistência integral, resolutiva e humanizada”.
Este processo que envolve a participação de gestores das Secretarias Municipais e Estadual da Saúde, docentes e técnicos da USP, prevê também a “constituição de um campo de reflexão e pesquisa para o avanço em disciplinas acadêmicas”.
Integrante da equipe que elaborou o projeto, o médico e professor titular do Departamento Medicina Social, Juan Stuardo Yazlle Rocha, opinou que o processo é um passo diferente e significativo no qual além da assistência médica “é necessário que a universidade dê o suporte aos gestores acerca de como administrar melhor o sistema de saúde. Então o objeto é sempre melhorar a saúde da população”.
Neste começo de um novo olhar para a atenção básica da saúde, uma das diretrizes é que os municípios deverão trabalhar de forma coordenada na aplicação dos conceitos que norteiam a organização da medicina preventiva e da vigilância epidemiológica. “Se um faz um trabalho para dengue, o outro tem que fazer também, senão não adianta. Esta que é a etapa nova, trabalhar na rede um sistema de atenção básica integrado e coordenado”.
Outra diretriz seria a capacitação de pessoal para utilizar melhor os sistemas de informação disponibilizados pelo SUS (Sistema Único de Saúde) e também para desenvolver programas de nutrição e de avaliação de estado nutricional . “Cada município tem a sua especificidade e requer um suporte e um apoio naquilo que para ele é mais essencial e mais importante”. Pacto pela saúde
Juan Stuardo Yazlle Rocha lembra que a Secretaria de Estado da Saúde selecionou em 2007, algumas instituições paulistas e entre elas, na região de Ribeirão Preto, a Faculdade de Medicina da USP e o Departamento de Medicina Social para apoiar a implementação de atividades relacionadas à construção do plano estadual de saúde e o pacto pela saúde. “Desta forma foi feito o termo de compromisso dos municípios com o pacto e os departamentos regionais mudaram sua regionalização”.
Este termo de compromisso que culminou com a transformação das divisões regionais de saúde em departamentos, com novas áreas de abrangência, também criou “um vínculo e um antecedente” para o desenvolvimento do Projeto de Apoio Permanente, com a implantação em 2007, do curso de especialização de gestores. Segundo Juan Yazlle “são duzentos gestores no Estado de São Paulo e aqui em Ribeirão Preto nós damos as aulas para 33 gestores da região”.
Segundo Juan Yazlle, a proposta da Secretaria de Estado é a formação de redes de serviço em atenção básica à saúde, com resolutividade suficiente para desafogar os serviços de nível intermediário ou média complexidade.
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