Há lugares que fazem parte da história de uma cidade não apenas pelo endereço, mas pelas lembranças que conseguem preservar.
Em Franca, o Restaurante Barão é um desses exemplos. Aberto em 1955, o estabelecimento atravessa mais de sete décadas acompanhando as transformações da cidade e continua sendo uma referência para quem procura a culinária tradicional francana.
Localizado na Praça Barão, no Centro, o restaurante mantém uma relação antiga com um dos espaços mais conhecidos da cidade. O endereço atual é na Rua Marechal Deodoro, 1.470, e registros históricos e referências de clientes associam o estabelecimento à Praça Barão há décadas.
O tempo passou, Franca cresceu, novos restaurantes surgiram e os hábitos dos consumidores mudaram. O Barão, entretanto, encontrou uma maneira de acompanhar essas mudanças sem abandonar aquilo que construiu sua identidade.
Pratos conhecidos há décadas
O principal exemplo está no cardápio. O Filé à JK continua sendo a grande marca da casa e também um dos pratos mais conhecidos da gastronomia francana.
A combinação de filé mignon empanado, recheado com presunto e queijo, acompanhado de arroz, batatas e outros ingredientes, ganhou fama muito além das mesas do restaurante.
A história do prato é cercada de versões e não existe documentação suficiente para determinar com absoluta certeza onde ele foi criado.
A versão mais difundida relaciona a receita ao ex-presidente Juscelino Kubitschek e ao Grande Hotel de Araxá, em Minas Gerais. Um cozinheiro conhecido como João Crioulo é apontado como responsável por levar a receita para Franca, onde ela ganhou identidade própria.
Patrimônio francano
O que não é lenda é o reconhecimento oficial. Em 2013, o Filé à JK foi tombado como patrimônio histórico e cultural imaterial de Franca pela Lei Municipal nº 7.960. O prato passou, assim, a fazer parte oficialmente da memória gastronômica da cidade.
E foi justamente o Restaurante Barão que se tornou, ao longo dos anos, uma das principais referências quando o assunto é o JK. Reportagem da Folha de S.Paulo publicada em 2013 já apontava o Barão como o lugar mais famoso para experimentar o prato em Franca.
Mas a história da casa não se resume ao JK. Outro prato tradicional é o Peixe na Telha, que também aparece associado ao restaurante em registros do setor turístico e gastronômico.
A permanência do Barão ao longo das décadas também está ligada à memória afetiva de seus clientes. Há relatos de pessoas que frequentam o restaurante há muitos anos e de famílias que mantêm o hábito de voltar ao local geração após geração.
Clientes há mais de 50 anos
Avaliações de clientes registram, inclusive, frequentadores que dizem conhecer a casa desde os anos 1970.
Agora, o restaurante também passa por um movimento que muitos estabelecimentos tradicionais enfrentam: modernizar o ambiente sem perder a personalidade construída ao longo dos anos.
É uma equação delicada. De um lado, existe a necessidade de acompanhar o presente. De outro, está a força de uma marca que se confunde com a própria memória da cidade.
No Barão, essa combinação aparece na convivência entre um ambiente renovado e elementos que remetem à história de Franca. Registros sobre o restaurante destacam justamente a presença de referências históricas da cidade e a permanência de uma identidade tradicional.
Modernizar sem romper com as origens
Talvez seja essa capacidade de mudar sem romper com suas origens que explique a permanência do restaurante no cotidiano francano.
Em uma cidade que mudou profundamente desde 1955, o Barão continua sendo um ponto de encontro.
Famílias chegam para almoçar, antigos clientes reencontram sabores conhecidos e novas gerações descobrem um restaurante que já fazia parte da paisagem de Franca muito antes de elas nascerem.
Mais do que um restaurante antigo, o Barão se tornou uma espécie de testemunha da transformação da cidade.
E, enquanto o Filé à JK continua chegando às mesas e a conversa permanece em torno da boa comida, uma parte da história gastronômica de Franca continua sendo escrita diariamente.